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Por que a Psicanálise no Século XXI?

  • Foto do escritor: Henrique Manoel Fagá
    Henrique Manoel Fagá
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 5 dias


(The Therapist, René Magritte, 1937)
("O Terapeuta", René Magritte, 1937)

Vivemos em um período em que parece necessário possuir uma resposta imediata para todas as problemáticas que se apresentam. Há, por conseguinte, inúmeras propostas para otimizar o tempo dedicado às tarefas, melhorar o desempenho em diferentes atividades, controlar emoções que interferem no trabalho e até aumentar a produtividade. Entretanto, apesar dessas promessas de solução, observa-se que o sofrimento psíquico não diminuiu; ao contrário, demandas como ansiedade, esgotamento mental, sensação de esvaziamento psíquico e dificuldades nos vínculos sociais tornam-se cada vez mais presentes na rotina contemporânea.

Nesse sentido, a psicanálise permanece atual e extremamente relevante, pois parte de uma constatação que, embora simples, é frequentemente esquecida: nem tudo o que nos atravessa constitui, por definição, um problema passível de resolução imediata. Há conflitos, angústias e repetições que insistem, mesmo quando o sujeito age em conformidade com as diretrizes e modelos oferecidos pelas múltiplas soluções disponíveis.

Em vez de buscar adaptar o sujeito a um ideal de normalidade ou felicidade, a psicanálise se interessa justamente por aquilo que não se ajusta; o que retorna sob a forma de sintomas, impasses ou questões que parecem não encontrar uma resposta definida. O sofrimento, assim, não é compreendido como algo a ser simplesmente eliminado, mas como um sinal de que há algo relevante em jogo na história de cada sujeito; o sintoma, nesse sentido, diz alguma coisa.

No século XXI, somos constantemente convocados a nos definir por meio de rótulos, diagnósticos ou expectativas externas, muitas vezes distantes da forma como nos compreendemos internamente. A psicanálise propõe um caminho distinto, ao apostar na singularidade do sujeito e sustentar que cada processo analítico é único, na medida em que diz respeito a cada pessoa em seu lugar próprio, com sua história, seus afetos e seus modos particulares de lidar com o desejo.

Na prática, isso significa que o trabalho analítico não se fundamenta em aconselhamentos, técnicas padronizadas ou julgamentos pré-estabelecidos. O espaço da análise é, antes de tudo, o espaço da fala: daquilo que emerge nas contradições, nas dúvidas, nos medos e nas repetições que parecem escapar ao sentido imediato.

Em um mundo que promete respostas cada vez mais rápidas e exige constantes adaptações do sujeito, a psicanálise oferece uma direção distinta, na qual o tempo necessário para escutar, compreender e construir modos mais próprios de lidar com o sofrimento é respeitado. Não há promessa de uma vida sem conflitos, mas a possibilidade de transformar a relação que cada um estabelece com eles.

É por isso que, ainda hoje, ou justamente por causa do nosso tempo, a psicanálise continua sendo necessária.



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